sábado, 7 de maio de 2011

Dias

Dou-te três dias. Um para pensares na tua vida, um para escolheres as tuas atitudes para comigo e outro para as corrigires. Espera, dou-te um espelho para te olhares e para me veres atrás de ti, compara-me contigo e agora diz-me que atitudes foram erradas, que atitudes atingi o alvo máximo e que atitudes ficaram aquém das tuas expectativas. Desculpa-me, recua, dou-te a porta do meu coração para saíres e trancares pela parte de fora e coloca a chave debaixo do tapete para que alguém ágil e gentil me venha um dia buscar na tentativa de recuperar aquilo que me tiraste. Não te volto a pedir para corrigires qualquer que seja o teu erro pois à custa de os tentar corrigir quem caiu no erro fui eu. A tua subtileza regou-me a vida, ao mesmo tempo que a tua falsidade a secou. Repara que quem ama alguém acaba por admitir erros aos quais nunca cometeu só para que tudo corra bem. A relação perfeita nunca existe, e o provérbio de “ Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje “ torna-se numa rasteira. Corremos dois a dois com a ideia de que o amanhã será nulo. O privilégio de viver torna-se em sobreviver. As veias secam e vivemos à pala de ideias exteriores, parte de influências e de amores impossíveis. No fundo a quem deveríamos amar, colocamos uma fechadura e quem nos ama damos-lhe a chave mesmo sabendo que do outro lado da sua porta já lá se encontra a sua chave. Verdade, verdade, é estender a mão por quem nos magoou na tentativa de que essa pessoa não volte a cometer o seu erro para que as contas tenham uma conta cujo resultado não tenha casas decimais mas acorda antes que te tentem adormecer, quem comete um comete dois ou mais erros e não és tu que os vais corrigir. Cada um depende de si mesmo, a vida é uma viagem em que andamos sozinhos pelas ruas da nossa própria pessoa por muito escuras que sejam. O segredo é mesmo esse, correr o máximo possível e derrubar todas as barreiras em que incidente está o medo. Ao fim ao cabo, acabei por amar algo que não me amou, admiti erros que não cometi, chorei por algo que o amado não sentiu, falei para quem não me ouviu e mais ainda, vivi um episódio irreal. Justamente quando tudo é perfeito, vem uma onda de desilusão e molha tudo. Há quem goste e quem se sinta desconfortável, eu não gosto nem odeio, estou no indiferente. Molhada ou seca de amor, sou eu mesma a levar chapadas de ódio e dor que suporto todos os dias com a expectativa de que a batata quente um dia se fique por ti.

Sem comentários:

Enviar um comentário