sábado, 7 de maio de 2011

Injúria

Hoje, o dia especial. Por muitos dias a fio, senti ser a tua mãe. Senti ser quem te dava mais conforto quando tudo à tua volta estava errado na tua cabeça. Senti ser quem escutava as tuas palavras repletas de raiva por dentro e simplicidade por fora, e te tentava ajudar da melhor forma para te ver e te sentir feliz. Senti… Senti tantas coisas dentro de mim que nem hoje as sei explicar. Às vezes baloiçava no jardim, pensando estar sentada no teu colo a ser embalada por ti. Às vezes abraçava-te até não aguentar mais; eu queria ser tu. Queria que fôssemos um só junto, queria que não existisse mais nada nem ninguém neste mundo porque junto de ti, era feliz. Tantas lágrimas que deixei cair à tua frente quando naquele momento te queria abraçar e beijar com todo o amor. Eram lágrimas de dor, de desgaste, de raiva, de desespero, porque a única conta que tinha um resultado sem casas decimais era aquela em que se juntava tu mais eu e eu nunca a consegui terminar. Em certos momentos quando me encontro sozinha, olho para a minha barriga e sinto-te a agarrares-me e a provocares-me arrepios com as tuas suaves mãos. Olho para o lado e é como se me concentrasse nos teus olhos e lê-se “eu preciso de ti embora não pareça”. Eu vejo-te em todo o lado, tenho recordações tuas em quase todos os pontos do meu corpo, nas minhas visões, nos meus sonhos, nas ruas das cidades mais próximas de nós. Quando saí à noite na sexta-feira, estava feliz com os meus amigos e de um momento para o outro parei, fiquei sem reacção. Baixei a cabeça e a única coisa que de imediato me veio à cabeça, foram as vezes que ficámos quietos a beijarmo-nos ouvindo música, fosse ela qual fosse porque juntos não precisamos de mais nada; tudo se encontra perfeito. Os sorrisos são verdadeiros, as lágrimas de saudade também. Tenho a necessidade de partilhar todo o meu dia contigo e de saber como foi o teu. Tenho necessidade de ter alguém que me dê a mão e que eu saiba que indirectamente lhe pertenço. Eu gosto de ser guiada, gosto que peguem em mim com braços fortes e me coloquem em sítios que nunca conheci, gosto que me digam: não, não faças isso, eu amo-te e estou aqui; gosto que me limpem as lágrimas com a boca e me beijem de verdade. Gosto de ti, gosto muito de ti. Gosto quando te deitas na mesma almofada que eu e me viras a cara, bem sabes que vou atrás. Gosto quando me puxas pelos abraços e me agarras e ficas eterno olhando-me nos olhos até que eu tenha de pestanejar. Gosto quando te metes em frente do espelho comigo e quase me dá vontade de te matar ao ver a minha carinha de sono, fico com a perfeita vontade de me virar e voltar para a caminha de lençóis amarelos de onde vim. A verdade é que fizeste de mim, uma pessoa determinada. Após todas as desavenças entre nós, aprendi a chorar pela dor e a agir como pessoa forte. Dei a volta a tudo sozinha. Sinto que subi na consideração da minha própria pessoa. Sinto que és importante cá dentro. Fizeste com que eu ganhasse forças e percebesse que por muitos desacatos que tenham existido entre nós, somos pessoas e acima de tudo temos sentimentos. Acredito que nunca tenhas chorado por mim, tal como eu nunca tenha chorado por ti mas sim pelo amor que sentia pelo teu coração. Eu sou feliz, sozinha ou acompanhada na viagem da minha vida. Mas hoje, sinto-me completamente sem ninguém. É o dia do afecto de mãe, mas falta-me o teu afecto, o teu querido e grande afecto. A teu lado sinto-me grande como pessoa, por tentar dar o máximo de mim a ponto de ver o teu máximo crescer. A teu lado as nuvens cinzentas afastam-se mostrando o seu sol, a terra seca, o coração aquece e o sorriso permanece. Por favor, diz-me que estás bem para que eu fique bem também. Não sou uma pessoa que sofre, sou uma pessoa que luta por objectivos e que por vezes demonstra o seu trabalho através de lágrimas. Foi preciso perder-te para te dar mais valor do que já te atribuía. Talvez hoje… Seja tarde demais. Ao menos não me esqueço que fiz o que o coração mandou. Desculpa-me por não ser uma mulher perfeita, a tua mulher perfeita.

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